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Para trás um mar sem princípio nem final. Extensão plana de águas densas, turbilhão de sentires e palavras de coragem. Num tempo em que o amor era a causa maior do agir, e aquela força interna rugia e desbravava todos os limites, todas as implicações sociais e práticas.

 

Agora a solidão é diferente, estar só é realmente estar só, sem peito síncrono, sem pensamento nem palavra irmã, lá do outro lado da vida, sempre presente, sempre aqui.

 

O tempo passou, difícil, árido, incrédulo, descrente. Os mesmos espaços, a mesmíssima matriz. Presente que me ficou estranho e duro. As rotinas de outra vida, longe, da qual restou um amargor pálido e triste.

 

Dorme, dorme no teu leito são e verdadeiro, criança amiga. Não estás só, eu estou aqui contigo. Abraço-te imensamente, dou-te o meu calor, o meu corpo como escudo, o meu amor de sempre, para sempre. E se dessa combustão afável brotarem lágrimas, deita-as para fora num fluxo imenso de palavras que se não escrevem, mas sentem, e calam por medo e cobardia.

 

Esquece a estética, não te preocupes com a falta de sentido, tão pouco com a ausência de interlocutor. Constrói a tua casa, o teu porto, o teu silêncio repleto de amor, de cumplicidade, de compreensão.

 

Aceita os erros, as fragilidades. Aprende com o que não correu bem, sem recriminações. Fizeste o que sabias, como sabias.

 

Apenas não te percas do teu sentido, das tuas convicções primeiras. Sem elas, qualquer caminho será em falso, qualquer aceitação alheia ser-te-á estranha e inquietante.

 

Procura apenas, nessa contenda da vida, vislumbrar sempre o teu porto, o teu aconchego mais secreto e claustro. E por favor, liberta-te, vive o viver possível, neste tempo amargo e vil.

 

Não desistas, nunca.


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