4.

Esta noite estive contigo, novamente. Estavas mais velha e triste. No pomar, ofereci-te um pêssego enorme, maduro, mas disseste-me que preferias maçãs. Logo surgiram peras, ressequidas e escuras, magras. Não as recusaste, ágil na apanha. Mas o teu coração pedia maçãs. E numa procura, em redor de nós, havia uma árvore com maçãs, algumas gémeas, de um vermelho-escuro, mas ainda com algum suco. Saíste carregada e só. Acompanhei-te lá fora. E num momento, surgimos deitadas junto a um mar de ondas onde boiava um saco preto, daqueles que usamos para colocar o lixo. Abracei-te imensamente, como se a minha alma tocasse na tua. Senti uma tranquilidade inquieta, transiente, e logo aquele momento cessou. Regressavas de novo a casa, caminhando de costas, de costas recurvadas pelo peso do saco de maçãs. Recolhidamente, só.

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